Segunda-feira, 20 de maio de 2013
Roberto Carvalho

Roberto Carvalho

POESIA LIBERTÁRIA - CHEWTCHENKO, CASTRO ALVES

Segunda-feira, 11 de junho de 2012

 A literatura, como as demais formas de artes, faz-se por referenciais e ícones da tradição cultural. As rupturas, os movimentos inovadores (vanguardas), são a comunicação signográficogreco-romana. Os conflitos existenciais e socioculturais da humanidade continuam dominando os temas da atualidade artística. É nesse mítico universo (“angústia das influências”), que se nutre, ao longo dos séculos, o mundo poético – canto dos oprimidos.

É a busca de liberdade como princípio natural da vida. A arte universal, através da qual se fundiram duas vozes poéticas, dos mundos libertários unidos pela poesia. No Brasil, a voz condoreira de Castro Alves, de “Navio Negreiro”, canta liberdade aos escravos. Na Ucrânia, o poeta Tarás Chewtchenko, publica “Kobzár”, poesia – 1840, e irrompe a libertação da classe rural escravizada pela Rússia. Nascido em 1814, Chewtchenko, compunha poesias em desenhos, enquanto pastoreava ovelhas alheias no campo.

Escravo de senhores feudais, o jovem poeta “iria sacudir o trono dos czares que se funde com outras vozes do mundo, tais como Castro Alves em favor dos oprimidos”, compara Wira Selanski, biógrafa do escritor ucraniano. Saído do campo para a cidade de Petersburgo, com ajuda de compatriotas, comprara a carta de alforria. Livre pôde estudar na Academia de Belas Artes e desenvolver algumas atividades artísticas.

Foram quatro anos de liberdade “para haurir a cultura da metrópole russa”, mas no coração exaltava sua terra natal “em canções e baladas executadas em cobza – instrumentos de músicos ambulantes da Ucrânia” escreve Selanski. Chewtchenko viveu os extremos de terríveis acontecimentos que sacudiram sua pátria. “Viu seu povo sob o julgo da escravidão estrangeira, sua miséria e seus anseios mais profundos”, diz Wira Selanski.

Assim como Castro Alves – “poderoso vulcão” da causa libertária – o maior poeta da Ucrânia, Chewtchenko é uma espécie de Bíblia parta os ucranianos. Preso novamente, em 1847, por seu envolvimento com o movimento “Fraternidade Cirilo-Metodiana”, é enviado para a Fortaleza de Ore burgo, onde o czar Nicolau I proíbe-lhe de pintar e escrever. Com a morte do czar russo, o poeta ganha a liberdade, porém não pode visitar sua terra querida em que nascera.

Só mais tarde, já abatido pelo sofrimento, o escritor volta a escrever. Mas há 10 de março de 1861, antes da Abolição da Escravatura dos camponeses, veio a falecer em Petersburgo. “Seus restos mortais foram levados para a Ucrânia e sepultados na Montanha do Monge, às margens do rio Dnipró, de acordo com seu desejo”, relata Selanski.

Não só pela temática – escravocracia, opressão – os dois poetas têm em comum o lirismo, a fulguração patriótica e, principalmente, a imagem mítica da liberdade. No poema a “Maciel Pinheiro”, Castro Alves mostra que conhecia a literatura ucraniana, ao referir-se ao “Mazepa” de Byron: “Deus que o Mazepa nas estepes guia.../ Deus acompanhe o peregrino audaz/", do poeta abolicionista baiano.

E nos versos de “Cachoeira de Paulo Afonso”, mais evidências: “É lá que o rio indômito,/ Como o cordel de Ucrânia/ (...), Ao longe vês também.../ Salta à garupa úmida/ Deste cordel tirânico/ - Novo Mezapa oceânico – Além, além, além.”, assinala em seu estudo, Wira Selanski. Aqui, a angústia, saudade da pátria e idealismo fundem-se à solidão.

Castro Alves ultramarino, expresso no sangue do seu povo sofrido e Chewtchenko exilado, coagido na alma de sua gente humilhada. Para os poetas condores dos escravos, Prometeu afigura-se como símbolo mítico, através do qual se reflete a voz, o clamor e força demolidora das algemas escravocratas. É a imagem da palavra contra a cultura opressiva. Como diz bem o poema “Prometeu” de Chewtchenko: “Povo! Povo infeliz! Povo, mártir eterno.../ Tu és do cativeiro o Prometeu moderno...”. Em “Vozes d’África”, de Castro Alves, a mesma imagem: “Qual Prometeu, tu me amarraste um dia (...). Infinito galé...”. Galé rima com ralé – escravos de hoje, soterrados na pobreza, sem usufruir dos avanços tecnológicos nem de cidadania.

No tempo de Castro Alves, havia vozes em defesa dos oprimidos. Poetas, escritores que se apaixonavam por causas humanitárias. Heróis que lutavam em favor dos mais fracos, explorados pela incúria de senhores proprietários do poder e das leis. De Castro Alves para cá, a escravidão apenas mudou de nome, ganhou requinte especializado. Os senhores da Senzala, agora comandam por computador, impérios econômicos, enquanto a população servida de cestas básicas vive o drama da fome e da miséria generalizada. A poesia é a chama que acende a esperança – Castro Alves, Chewtchenko, Fernando Pessoa, Rimbaud – o tempo não apaga.  


Anatomia da Notícia - Na Rampa do Planalto

Terça-feira, 5 de junho de 2012

 Ao passar a faixa presidencial à presidente Dilma Rousseff na rampa do Palácio do Planalto, naquela manhã solene – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou traçados seus planos de, em 2014, voltar ao cargo que acabara de deixar. No acordo preestabelecido com Lula, Dilma prometeu abdicar da reeleição para reconduzir o ex-presidente ao Palácio do Planalto. Lula desceu a rampa direto para o seu escritório de governo – o Instituto Lula, em São Paulo, de onde passou a comandar as ações e articulações no governo federal.  

As decisões do governo Dilma passam pelo aval do Instituto – ou seja, pelo concorde do ex-presidente Lula que, de forma ostensiva dita as regras no Palácio do Planalto. Atuando nos bastidores, não é segredo que Lula está em campanha para as eleições presidenciais de 2014 – e Dilma que teria sua reeleição garantida, não pode quebrar o acordo feito com seu parceiro de partido (PT) e pai político. Não fosse por Lula, Dilma seria uma desconhecida sem expressão partidária no cenário nacional. O problema é que a presidente no poder contaminou-se pelo vírus do cargo que ocupa – e seus assessores dão como certo um segundo mandato, caso ela concorra.

Como pai protetor dos mensaleiros do Mensalão – José Dirceu e seus “Companheiros” – Lula, sempre defendeu abertamente a roubalheira da quadrilha. Contudo, resolveu exigir dos seus indicados ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Gilmar Mendes, Dias Tóffoli que deixassem vencer o prazo de julgamento dos mensaleiros seus protegidos. Assim ficariam livres de condenação, da Justiça. Embora tendencioso político, Mendes não gostou da proposta indecente e veio a público denunciar o ex-presidente que o indicara para aquele cargo vitalício de ministro do STF.

Na troca de acusações entre Lula e Gilmar Mendes, apareceu a cara política do STF em que, a influência dos políticos nas decisões da Corte é uma vergonha. Na época que era presidente da República, Lula emplacou oito ministros no STF – então, por que não comandar exercer influência também ali onde fez sua base de sustentação jurídica? Numa análise de postura, o ex-presidente precisa cautela, discrição – afinal, embora ele esteja atuando nos meios políticos, quem tem as chaves do cofre da Viúva é a presidente Dilma Rousseff. E quem não movimenta verbas públicas costuma não ser incluído no rol das quadrilhas que comando o país.  


Custos do Medo - GDF Gasta 8 Bilhões com Segurança

Segunda-feira, 28 de maio de 2012

 Segundo dados divulgados pelo Instituto de pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o custo da criminalidade no Distrito Federal consome por ano 5% PIB (Produto Interno Bruto) do DF. Seja R$ 8 bilhões são gastos com aparato de segurança. Para se ter uma ideia – a cada minuto são gastos R$ 15,3 mil em forças policiais, seguro privado, equipamentos de vigilância, socorre a feridos e despesas hospitalares.

O estudo do IPEA faz uma comparação entre os gastos com violência no DF e no Canadá, a Austrália, Estados Unidos e Japão. Por exemplo, a Austrália gasta apenas 1% do PIB, e Estados Unidos, 2% do PIB, enquanto o DF consome 5% de suas riquezas contra a violência.

Cerca elétrica, câmaras de segurança, centrais de monitoramento remoto, são algumas das medidas de segurança que a população recorre para se proteger dos bandidos. Mesmo com todo esse aparato de controle eletrônico as famílias não se sentem seguras no Distrito Federal – onde a polícia está mais preocupada com salários do que com o comprimento de sua finalidade de proteção da população. Devido aos repasses de verbas institucionais do governo federal para gastos com segurança e educação no DGF – professores e policiais vivem sempre em pé de guerra por aumentos salariais. As greves na Educação e na Polícia ajudam complicar ainda mais a já precária atuação desses dois setores essenciais da vida pública do GDF.

A corrução, administrações politiqueiras e fracas têm comprometido a Segurança, assim como qualidade do ensino no Distrito Federal que é precário. No caso da Segurança Pública a situação é mais grave – vidas e famílias são submetidas à violência de criminosos que afrontam os meios de segurança, a polícia. Sem resposta eficaz dos órgãos de segurança – moradores de condomínios, ou mesmo residências se transformam em bunkers com sistemas de vigilância eletrônicos para tentar barrar os furtos e roubos constantes. As empresas de segurança faturam vendendo vários itens, como cercas elétricas sensores óticos, alarmes e câmaras de vídeos integrados para inibir a ação dos bandidos que agem livremente no DF

As ações da Polícia Militar de combate aos crimes é como enxugar gelo – quanto mais prende as quadrilhas, os criminosos mais eles se multiplicam – prende hoje, amanhã estão soltos novamente nas ruas cometendo os mesmo crimes. E, cada vez mais audaciosos – a impunidade gera a certeza de que o crime compensa. O exemplo começa de cima – os políticos corruptos roubam e estão soltos, não acontece nada – os governadores Agnelo Queiroz, Marconi Perillo, Carlinho Cachoeira, são exemplos. E o pessoal do Mensalão – nenhum foi julgado, preso.

Fica difícil para o Judiciário manter presos bandidos que roubam, assaltam residência ou comércio quando os grandes lá de cima estão soltos escoltados por batalhões de advogados famosos, longe de passar pelo crivo da lei. Quem paga o preço do medo da violência é a população que, no sacrifício de se proteger contra os bandidos vive presa entre grades, câmaras de segurança.          


Lady Gaga - Show da Vaca Louca

Sexta-feira, 18 de maio de 2012

Lady Gaga - Show da Vaca LoucaArraigada nas tradições, a cultura oriental preserva os princípios ancestrais - na semana passada, a cantora Lady Gaga foi barrada num show que realizaria na Índia. Os promotores do evento se esqueceram de avisar a pop star que, antes de se apresentar no palco teria de cumprir algumas exigências da cultural local. Não comer carne de vaca três dias antes do show, andar de elefante nas ruas da cidade, usar turbantes e um saião branco sem calcinha. Na véspera da apresentação, dormir com uma naja no colo e emergir-se em óleos aromáticos, fumaça de cipó preto e lavar o rosto com água do Ganges.

A cantora, subiu no palco à ocidental – num mini-short colante transparente, plumas e paetês – parecendo uma árvore de natal. Quem a visse de frente podia jurar que era um pé de alface – os defensores dos alicerces morais da Índia não gostaram do modo como Lady Gaga se vestia. Segundo o presidente da liga das tradições indianas – as pernas de Gaga são um atentado ao pudor, à moral dos recatados daquele país oriental. Enquanto isso, os fãs da pop star saíram em defesa do show – a justificativa não podia ser mais plausível: era oportunidade única ver um par de penas daquele porte, peitos de fartar apetite. Além do que, Gaga ia dar uma canja de estrepe ao vivo, cosia que indiano nenhum viu em toda vida – uma loura siliconada exibindo-se de dar água na boca.  

Alguns moralistas mais radicais ameaçaram atirar em Lady Gaga – se ela realizasse a apresentação. Para evitar um desfecho trágico - os promotores do evento resolveram cancelar o show da rainha da pop music internacional. Quem já havia comprado ingresso para assistir Gaga, poderia usá-lo na corrida anual de elefantes, ou para realizar o tradicional banho obrigatório no Ganges. Uma ótima troca – deixar de ver os contornos sensuais da star pop mais badalada do momento, para banhar nas águas poluídas, fedorentas do rio sagrado dos indianos. Você leitor, o que preferiria? Lady Gaga em pelo, ou contrair leptospirose no Ganges?                      


CPI - Abre a Boca Cachoeira

Quarta-feira, 9 de maio de 2012

 Está marcado para a próxima terça-feira (15/05), o depoimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira na CPI que investiga os crimes de contravenção e formação de quadrilha, entre outros que pesam contra ele. Defendido por nada menos do que Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça no governo Lula, o contraventor já avisou que pode ficar em silêncio no interrogatório dos parlamentares da CPI.

Coincidência ou não, no mesmo dia do depoimento será apreciado o habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em que, caberá aos ministros da 5ª Turma do tribunal a decisão de mantê-lo preso ou soltar. Cachoeira precisa da liberdade para cuidar de suas atividades, dos negócios. Principalmente, reabastecer de grana a quadrilha de políticos, agentes públicos que sempre o apoiaram em suas ações criminosas. Agora, os órfãos de Cachoeira rezam para o bicheiro ficar de boca calada – não aceitar proposta de delação premiada.  

Se Cachoeira abrir o jogo, entregar os nomes dos participantes da quadrilha que ele comandava, a lama vai sujar muita gente insuspeita das diversas áreas dos poderes no País. Márcio Thomas Basto disse que se não tiver acesso aos documentos do inquérito que está com o deputado Vital do Rêgo (PMBD-PB) presidente da CPI seu cliente ficara em silêncio durante o depoimento na terça-feira. Cachoeira vai usar as prerrogativas constitucionais: ninguém é obrigado a produzir provas conta si mesmo.

Na mesma terça-feira, dia do depoimento, pode ganhar de presente do STJ a liberdade, enquanto o virtual processo com o tempo se dissolverá em mofo nas gavetas de tribunais. Em liberdade, o bicheiro terá como mexer as pedras do jogo – é que ninguém resiste a uma boa quantia de reais na conta bancária. Nem mesmo mais incorruptível dos mortais – calcule num país como o Brasil, onde a cultura de valores investidos prega que o correto é ser corruto, ladrão. Cachoeira é apenas uma ponta do iceberg da lama corrupção que macula as estruturas institucionais do País. 


Como Viver Sem Cachoeira?

Segunda-feira, 7 de maio de 2012

 Depois da prisão de Carlinhos Cacheira e de alguns membros da sua quadrilha - políticos, autoridades, agentes públicos e empresários se perguntam: como viver sem o dinheiro dos esquemas de Cachoeira. Da Esplanada dos Ministérios ao pipoqueiro da esquina – passando por ministros de Estado, governadores, policiais federais, estaduais, municipais, senadores e deputados – o contraventor comandava tudo.

Para Cachoeira não havia limite – chefiando uma quadrilha composta por agentes públicos, empresários e políticos, o bicheiro controlava as principais atividades no País. Conversas gravadas pela Polícia Federal, na Operação Monte Carlo – revelaram que até governadores, como Agnelo Queiroz (PT-DF) e Marconi Perillo, de Goiás estariam envolvidos com o bicheiro. Os negócios de Cachoeira eram os jogos caça-níqueis ilegais que funcionavam em vários estados. A PF descobriu também que o contraventor é sócio da construtora DELTA que servida como fachada para legalizar o dinheiro da contravenção, depois repassar para a quadrilha.

Os diálogos gravados pela PF mostram que Cachoeira tinha estreito relacionamento com as peças com que trabalhava – senador Demóstenes Torres (GO), Agnelo Queiroz (PT-DF), entre outras figuras da quadrilha. No caso de Agnelo Queiroz, conhecido no esquema como “Magrão”, “Zero-um”, estranha que militantes, sindicalistas, partidários do PT não se manifestem pela saída de Agnelo do governo do DF. O partido protege o governador das acusações de envolvimento com a quadrilha de Cachoeira. Ao contrário da operação Caixa de Pandora em que, os petistas Chico Vigilante, Chico Floresta, Geraldo Magela, Policarpo; sindicatos e centrais sindicais saíram às ruas, exigiram a cabeça do governador José Roberto Arruda (PMDB-DF). Cadê a ética, do PT?

Para abafar a insatisfação com mais um escândalo de corrupção, foi criada no Congresso Nacional, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI), com membros das duas Casas, do Congresso. Contudo, esta CPI já nasce ultrapassada, sem mídia. Assim como a CPI do Mensalão, a do Cachoeira servirá apenas como palanque para discursos que a gente já sabe do resultado. Para assegurar o controle da CPI, as principais comissões são presididas por parlamentares da base aliada do governo. Esperar o que dessa CPI? Mais uma Pizza para jogar as denúncias debaixo do tapete – os culpados continuarão impunes debochando da cara do cidadão.

A questão dos beneficiários da quadrilha: quem vai substituir o banco Cachoeira que abastecia de grana uma grande quantidade de políticos e empresários? Embora ninguém admita se relacionar ao contraventor, a lista de nomes nas gravações mostra o contrário: havia uma rede de corruptores e corruptos. Para mostrar poder, Cachoeira tentou comprar até um partido político, o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), presidido pelo engomado Levy Fidelix que nega a transação. O interessante é que, até antes da prisão, Cachoeira era a solução financeira de quem agora nega conhecê-lo – de uma hora para outra ninguém quer ter o nome relacionado ao bicheiro. 


Porto de Luís Correia - Falta Vontade Política?

Segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ao determinar a construção do Porto de Luís Correia na praia Amarração, D. Pedro II vislumbrou o desenvolvimento não só do Piauí, mas também de toda a região circunvizinha: parte do Ceará, de Pernambuco, do Maranhão e, principalmente, o norte de Goiás. Isso, a cerca de 80 anos atrás – o monarca esperava que o Brasil, país que tanto amava, fosse desenvolvido por homens de bem, cidadãos de caráter, não por um covil de ladrões que, ao longo dos anos se aperfeiçoaram na arte de corromper e ser corrompidos. Transformaram a política no caminho mais curto para enfiar a mão no dinheiro público – socializaram os prejuízos e institucionalizaram a corrupção.

  Certo que o imperador aconselhado ao empreendimento não conhecia – nem devia conhecer – as dificuldades geológicas marinhas do local onde seria construído o porto. Estudos técnicos sempre deram conta de que, a construção do terminal portuário marítimo piauiense era viável. Em vista disso, nos anos 70, o à época governador Alberto Tavares e Silva – homem de valor moral, sonhador e político empreendedor – deu grande andamento nas obras do Porto de Luís Correia. Chegou-se a pensar que, daquela vez a obra seria concluída – mas a falta nos repasses de verbas federais paralisou novamente o projeto.

Dessa etapa, sobrou um imenso cais de pedras enterrando-se na areia mar adentro. Ali estão enterrados – vem sendo enterrados – milhões de reais dos brasileiros. Também, o porto tem servido para desvios de dinheiro público, enriquecimento ilícito de empresários das áreas de construção civil, engenharia e técnica geológica. Todos os governadores do estado que passam pelo Palácio de Karnak prometem concluir as obras do porto – alguns reeleitos por vários mandatos – porém, ficam nas promessas. Ninguém convence o cidadão piauiense de que seria inviável a construção do porto – principalmente, que o porto não será concluído. Pergunte a um parnaibano sobre o reinício das obras, e terá pronta resposta – “No mês que vem, no segundo semestre” - é o que passa na cabeça da população no estado.

Em véspera de eleições, os políticos do estado põem o Porto de Luís Coria nas pautas de campanha. Passadas as eleições, o assunto morre – menos para os que veem nas obras do porto, uma oportunidade de desviar verbas públicas, se dá bem com o dinheiro dos contribuintes. Não precisa ser técnico nem geólogo, para saber que não será pelas dificuldades geológicas, topográficas – costa rasa extensa, areias em constates mudanças – que as obras não andam, mas por falta de vontade política, verbas públicas, privadas: em parcerias com a iniciativa privada. Na Coreia do Sul, a construção do porto em Shijon, distante da capital Seul, demandou a formação de uma ilha artificial – no Piauí, o Porto de Luís correia não precisa de tal dispêndio, nem milagre da engenharia.


Que Voz se Levanta?

Quarta-feira, 2 de maio de 2012

Preocupa a letargia da população – maioria deserdada - cidadãos comuns que anestesiados não protestam contra a roubalheira, privilégios e condutas ilícitas de uma minoria social que faz do patrimônio público (de todos) propriedade particular, um latifúndio de poder. Se ninguém se manifesta, reclama contra esse estado de coisa é porque tudo está às mil maravilhas; as esmolas do governo – Bolsa Família, Vale Gás, Renda Minha entre outros (benefícios?) dos programas sociais “cala a boca” da população.

A minoria – políticos, empresários: corruptos e corruptores – ignora uma maioria (que sustenta o país) numa situação economicamente desesperadora. E no meio dessa maioria (Classe C, D e E), a Classe C é a que mais sofre desigualdade – a forma como é tratada. Ganha em média R$ 4,5 mil – e vê-se espoliada, extorquida por Imposto de Renda extorsivo, impostos indiretos embutidos nos produtos de consumo, alimentos e serviços entre outros. A famigerada carga tributária penaliza mais os pobres – que gravitam no meio da pirâmide – Casse C, D e E.

Empresa não paga impostos - os consumidores é que pagam os encargos tributários embutidos nos preços dos produtos e serviços. Com isso se agrava mais a situação dos que ganham menos, como a Classe C, que não recebe os benefícios dos programas sociais. Então por que essa minoria (Classe C) aceita passivamente ser humilhada? Nesse cenário de corrupção e bandidagem oficial, tudo é normal? Cadê um judiciário probo, ético, atuante – sem corporativismo? Governantes diligentes comprometidos com as causas sociais, éticos e confiáveis?

Onde estão as instituições sérias a serviço do Estado brasileiro, da população de forma equânime e igualitária, com eficiência, eficácia em seus objetivos precípuos? E o Poder Legislativo – municipal, estadual, federal – aonde foi parar? O que fazem e, para que servem os parlamentares eleitos pelo povo nas comunidades do País? Os políticos estão envolvidos com as causas públicas para as quais foram eleitos em seus domicílios eleitorais? São os representantes da população referendados nas urnas somente para roubarem, corromper, ser corrompidos? Cadê a moral deste País? Em quase todos os países do mundo há constante terremotos, condições naturais adversas – e, em pouco se reconstroem, avançam à frente. No Brasil, uma gente (minoria) sórdida desmoraliza, degrada o país.

Esse pessoal (Classe A, B) vive a tripudiar os mais carentes que, sem oportunidades teimam em viver no meio das feras que detêm o poder econômico-financeiro, político e manipula a opinião pública nacional. Em meio aos desmandos, arrogância esse poder dita as regras sujas de um jogo que sempre dá vantagem aos protagonistas marcados como valores. Sufocada debaixo do tapete de lama, a parte espoliada poderia se levantar contra a opressão praticada pelo rolo compressor do poder dominante. A camuflagem em que se reveste o status quo do “politicamente correto” - Democracia, Estado de Direito – impõe-se como concepção indiscutível, princípios que regem o social coletivo, falso moralismo.

A pergunta que se clama – Que Voz se Levanta? – para mudar a fazenda brasilis. Encera a resposta óbvia – falta um líder carismático que levante a voz contra o que está aí oprimindo a maioria da população. Principalmente, alguém que transforme o País socialmente justo, redimindo a Nação que há séculos padece de desigualdade social. O problema é: haveria consciência política para tamanha empreitada de mudanças que levem a população à igualdade socioeconômica? Esse novo Estado social seria um Estado socialmente justo? Principalmente, capaz de atender aos anseios da maioria da população sedenta de justiça social?

Os que transitam no topo da pirâmide (Classe A, B) mantêm os indivíduos – classes C, D e E maioria - hierarquizados em situação de dominação. Essa situação de desigualdades sociais gritantes tem como finalidade manter o sistema dominante que há séculos escraviza a população do País. Para legitimar esse “Estado de Direito?”, status quo – existe um ordenamento jurídico: normas, leis que impõem diferenciais de classes que expurga os desiguais. Por outro lado, favorece os “mais iguais” – do topo da pirâmide que desfrutam condições econômico-financeiras privilegiadas. São os chamados círculos corporativos de poder. O princípio - “Todos os cidadãos são iguais perante a lei”, Art. 5º da Carta Política de 1988, é letra morta, na prática. Então, contra esse “Estado de Direito?” - Que Voz se Levanta?

 


Dilma - A Imagem do Circo

Quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pesquisa divulgada no Fantástico de domingo (22/04), mostrou que a presidente Dilma Rousseff tem 64% de aprovação da população. Antes de discutir os méritos, a seriedade da pesquisa – que daria a Dilma o favoritismo nas próximas eleições – é preciso esclarecer alguns detalhes. Primeiro – a pesquisa se refere à Dilma (pessoa) presidente da República não ao seu governo ou à sua parca administração. Até aí, nada de mais – embora a maioria da população não concorde, a pessoa da Dilma atrai simpatia internacional. Principalmente, subserviência de seus súditos dos programas sociais – bolsas famílias da vida.

Na prática o governo Dilma Rousseff é péssimo, ruim. A prova é paralisia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - programa de grande monta que se arrasta com a maioria das obras paralisadas. Apenas 20% dos projetos do PAC continuam em marcha lenta, sem perspectivas de conclusão das obras. Quando a presidente Dilma assumiu o governo, as obras estavam em plena execução – o governo atual resolveu frear o programa. O projeto Tabuleiros Litorâneos, no Piauí está parado, com centenas de metros de tubulações, canais de concreto e eclusas se perdendo dentro do mato abandonados. Fora os desvios e superfaturamentos, milhões de reais do contribuinte somem no descaso do governo federal.

Não surpreende o resultado da pesquisa que por si só, mostra como é criada a imagem do governo petista. No universo de 2 mil pessoas consultadas, os 64% que consideram “Bom” o perfil de Dilma certamente trabalham no 3º andar do Palácio do Planalto. Pelo que se depreende, os puxas-sacos da Presidência da República querem um segundo mandato para a patroa – e assim permanecer pendurado nas tetas da Viúva. A estratégia de produzir falsas pesquisas para ganhar eleições nas urnas, continua operante – institutos e instituições de pesquisas são pródigos em divulgar resultados favoráveis a quem está com o cofre na mão.

Especialista em manipular imagens e opiniões em favor do partido – a máquina petista reconduziu os mensaleiros da legenda a mandatos eletivos. E melhor, se dizendo vítimas de perseguição política cobram na justiça indenizações por danos morais. A aprovação “Bom” apurado no 3º andar do Palácio do Planalto reflete os superlativos que douram da pílula Dilma Rousseff. Contudo, o cidadão comum precisa ficar atento – a administração petista é uma coisa, a Dilma Rousseff cidadã é outra coisa. A presidente pode ser ótima estadista, porém péssima administradora, como mostra o seu governo.


Imagem da Utopia: Uma crônica para o leitor

Quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ainda que se prove o contrário, nos assentamentos da vida nada passa sem as tintas da imagem imposta para justificar nossa inclusão em manuais de conceitos coletivos. O código – deveres e obrigações – impõe-se à vontade individual que impulsiona o “Ser” animal instintivo, único.

Então o indivíduo deixa de “ser” razão para “ser” o que os outros projetam como algo possível, palpável. O que o segue – cego, cega-se como fez minha amiga Judite, militante partidária em seu ideal marxista-leninista. Judite esteve em Brasília e não me visitou. Recebida no Congresso Nacional, passou em frente à catedral da cidade, Biblioteca Nacional. Na Praça dos Três Poderes, chega ao Palácio do Planalto, onde é informada de que não pode falar com o inquilino-mor daquela Casa do Executivo Nacional.

Dali, ela desatou ao santuário Dom Bosco na W3 Sul – templo cristão em homenagem ao religioso que teria previsto, no século XiX, a construção de Brasília. Confusa na assimétrica arquitetura da cidade candanga, Judite dirige-se à Praça do Buriti, onde ordenha loba em frente o Palácio do Buriti. E ninguém mais sabe do seu paradeiro – quando estampa no jornal: Encontrado corpo de mulher boiando no Lago Paranoá. No rádio, a notícia é reveladora: a mulher encontrada boiando no Logo é Judite Veiga, militante petista que, tendo perdido as esperanças no partido que tanto defendera, resolveu dá termo às ideias socialistas definitivamente.

Consigo, levou o engano que cultivara por boa parte da vida. Fui verificar o cadáver – afinal, embora Judite fosse depressiva não seria capaz de cometer tamanha barbaridade. Teria caído em cilada maldita? Mesmo não sendo especialista em disfarce, como militante petista, quase nunca tirava a “estrela vermelha” da lapela. E certamente, não iria vacilar na Esplanada dos Ministérios. Há mais mistérios ali do que o que se possa imaginar – qualquer pessoa sabe disso. Não. Não podia ser Judite.

Meio incrédulo estacionei o carro na margem do Lago onde já havia muitos curiosos no local – bombeiros, peritos da Polícia Civil. Abri passagem entre as pessoas que cercavam o corpo irreconhecível, consegui irromper pertinho.

E vi o rosto deformado de Judite. A perícia examinando detalhes ao redor do bucho inchado, como se cuidasse de mais um indigente. E era. Nenhum parente ali a reconhecer Judite. Abaixei-me um pouco e pude observar no cós da bermuda azul o boné vermelho – todo militante que se presa tem ao menos dois bonés: um para uso em casa e outro para sair às ruas.


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