
Se o nível da campanha para o governo do Estado do Piauí nas eleições de outubro, projeto um cenário onde a tônica será a baixaria, a disputa pelo Senado no Piauí deve descer ainda mais o nível levando em consideração as declarações recentes de três personagens que devem ser o centro das atenções na disputa por duas vagas. Mão Santa (PSDC) e Heráclito Fortes (DEM), buscam a reeleição e o atual deputado federal Ciro Nogueira Filho (PP), surge como candidato ao Senado na chapa encabeçada pelo atual senador João Vicente Claudino (PTB).
No último dia 14, num almoço realizado no complexo esportivo Joca Claudino, onde o senador JVC reuniu lideranças para confirmar sua chapa, o nome de Ciro surgiu como candidato a senador. No evento, o atual deputado não mediu palavras e rasgou o verbo contra Mão Santa e Heráclito Fortes.
“Esses dois senadores fizeram oposição radical ao presidente Lula e viraram as costas para o Piauí. Isso é muito ruim para o Estado”, atacou, mostrando como será o tom de seu discurso de campanha. Aliado do governo Lula, Ciro vai adotar uma postura crítica em relação aos atuais senadores.
“Nossos atuais senadores optaram pela política partidária e prejudicaram o Piauí. Não trouxeram os recursos e as empresas que o Estado precisa para se desenvolver”, disse.
De imediato, os dois senadores ocuparam canais de TV e o plenário do Senado para retrucar as declarações de Ciro.
O senador Mão Santa foi o primeiro a se pronunciar. Mão Santa ressaltou que nunca foi visto em negociatas com lobistas ou empresários. “Infelizmente, no outro extremo da bancada o parlamentar Ciro Nogueira, ex-cabo eleitoral de Severino Cavalcanti, que foi apeado da presidência da Câmara dos Deputados por conta do caso que ficou conhecido como "Mensalinho", sempre é flagrado em muitas situações vexatórias e constrangedoras”.
O senador argumenta que alguns desses episódios envolvendo Ciro filho estão registrados no livro “A Ética da Malandragem – No Submundo do Congresso Nacional”, de um dos mais respeitados jornalistas do país, Lúcio Vaz, hoje do Correio Braziliense – ex-Folha de São Paulo. No Submundo do Congresso Nacional, diz o senador, o leitor pode encontrar o modo de fazer política de Nogueira, pincelado com mínimos detalhes a partir da página 100.
No Senado, Heráclito defende-se dizendo que não tem “negócios”. “Eu não tenho uma rádio, eu não tenho uma revenda, eu não tenho nada na minha vida oriundo da minha atividade. Heráclito disse que sua vivência tem ensinado. Disse que há cerca de 20 dias Cirinho (como o deputado federal Ciro Nogueira Filho é chamado na intimidade) foi ao meu gabinete, às 9 horas da manhã. Já estranhei ele acordar tão cedo. Mas, às 9 horas da manhã, estou no meu gabinete, ele chega e argumenta: “Fique tranqüilo, estou sendo convidado, mas não aceito em hipótese nenhuma ser candidato ao Senado. Venho lhe dizer isso em atenção a nossa grande amizade”.
Aquela conversa de cerca Lourenço. Quando ele saiu, comentei com pessoas da minha intimidade: esse menino está com “capilozada” (sic), falou.
Fortes disse que agora a coisa está sendo anunciada, mas de maneira errada, parecendo que é uma grande transação e não um acordo político. Heráclito diz que seria bom se ele (Ciro) realmente vier a ser candidato ao Senado, que nos sentássemos num debate para mostrar quem trabalhou mais pelo Piauí. Quem fez mais pelo Piauí em todos esses anos. E outra coisa: para comentar quem são as minhas companhias, quem são as companhias do candidato ao longo desses anos. “É preciso que essas coisas fiquem bem claras”, desabafou.
Aliás, tenho uma admiração muito grande pelo Ciro. Ele é uma pessoa que brilhou na Câmara; foi o lançador do Severino Cavalcanti como candidato a Presidente da Casa e o responsável pela sua eleição. E era o principal interlocutor do Severino naquela Casa. Eu não tive essa oportunidade. Eu fui o grande interlocutor – e ele sabe disso – de Ulysses Guimarães, de Tancredo Neves. Eu faço política por vocação”, acrescentou.
Falando aos poucos senadores presentes no plenário, Heráclito prosseguiu dizendo que Cirinho é um menino que posa de bonzinho e tem uma imagem de conciliador. Ele não vai agora, nem bem começou a campanha, agredir gratuitamente as pessoas, os colegas. É isto que faz com que a classe política se torne desacreditada: a falta de coerência. Há menos de um mês, Ciro andava prometendo apoio a Sílvio Mendes e, inclusive, postulava uma vaga de vice-governador na chapa. Depois, aconteceram fatos, eleição para o Tribunal de Contas etc., e ele tinha um candidato do seu grupo e teve apoio do Governo,finalizou.