Os interessados neste dinheiro vão ter que aguardar. Os nove eleitos já foram escolhidos no mês passado e vão passar os próximos três anos com a garantia de receber mensalmente o valor de R$ 2.200 para participar de quatro sessões no CEC – Conselho Estadual de Cultura do Piauí. O diferencial da escolha deste ano é que três candidatos foram indicados pela FUNDAC – Fundação Cultural do Piauí, órgão oficial da cultura do Estado, mas não foram empossados no cargo, o que acabou demonstrando um total desprestigio daquele órgão governamental.
“No primeiro instante fiquei muito chateada, me senti desprestigiada. Não, enquanto pessoa, mas enquanto Fundação Cultural, pela situação que foi colocada. Claro que fui até ao Palácio de Karnak saber qual foi o motivo (...) A dona Graça (?) me disse que foi um erro das pessoas que publicam o Diário Oficial. A minha lista estava lá, bem como a lista do Dep. Átila, Secretário de Educação”, diz Bid Lima, presidente da FUNDAC.
Ela explica ainda que recebeu um documento do KARNAK, solicitando a indicação dos três nomes para compor o CEC e que assim o fez. Bid diz que os três nomes, sendo o produtor cultural João Vasconcelos, o coreografo Valdemar Santos e o diretor de teatro Arimatan Martins saíram no Diário Oficial, o que foi celebrado com alegria e comemoração. “Não sei como foi feita esta eleição. Não fui comunicada, não sei como se coloca esses nomes para eleição. Houve uma chateação muito grande da minha parte, liguei para as pessoas e pedi desculpas (...) Fiquei numa situação constrangedora”, continua Bid.
Para o professor Paulo Nunes, que tem quase vinte anos no CEC e continua por mais três anos, houve apenas um equivoco da FUNDAC. Mas, ele não consegue explicar o imbróglio e prefere afirmar que “nunca pedi para ser nomeado. Estou aqui essa temporada toda, já por cinco ou seis mandatos, mas nunca pedi para ser nomeado”, retruca o professor que também defende os outros indicados. “O Cinéas Santos e, igualmente, a conselheira Francisca idem”.
“Não é só pela questão financeira. É porque eu acho que as pessoas têm que serem mudadas. Elas têm que entender que não podem se perpetuar (...) Eu acho que eu poderia modernizar a forma como as coisas acontecem lá. Sozinho não, pois ninguém faz nada sozinho (...) As pessoas que estão lá, estão acomodadas como, por exemplo, Pedro Costa, Severino, Cinéas Santos, professor Paulo Nunes __Que está lá há trezentos anos e ninguém sabe na cidade nem quem ele é. Eu sei, mas 70% da população cultural não sabe quem ele é”, diz um dos indicados/rechaçados João Vasconcelos, acrescentando: “Acho que tem uma pauta que o CEC deveria se aprofundar nela, que é procurar a classe artística para e ir atrás da Secretaria de Cultura deste Estado. Só a FUNDAC não resolve mais”.
Indicações deixam artistas grilados
Nos bastidores foi dito que, até mesmo, o músico Vavá Ribeiro, que nunca demonstrou interesse por uma participação política mais ativa, foi indicado para o CEC pelo jovem deputado Fábio Novo, que teria se confessado fã e amigo do cantor/compositor. Porém, a situação mais esquisita foi a do produtor cultural Jairo Araujo, que concorreu a uma vaga pela ALEPI - Assembléia Legislativa do Piauí. “Eu fiquei em quarto lugar, são eleitos três pela ALEPI: __ Porque não sou o suplente?”, pergunta angustiado o produtor.
Ele mesmo responde: “Primeiro, é que os deputados não sabem de nada sobre as pessoas que estão sendo candidatas. Então, fica uma coisa de “panelinha”. __Quem tem uns amiguinhos lá, deputado, que pode cooperar com outro e tudo mais. Os deputados não têm o mínimo cuidado de saber quem é que vai participar deste Conselho”, desabafa Jairo que também critica o fato de pessoas estarem há muito tempo no CEC. “Eu sei muito bem da importância do professor Paulo Nunes para o CEC. Mas, acho que é preciso ter uma regulamentação a respeito disto e deixar, no máximo, dois anos. Perpetuar as pessoas e ficar nessa coisa de empreguismo!?...”.
O repentista Pedro Costa, escolhido pela Fundação dos Repentistas, entre as três vagas da sociedade civil, demonstra satisfação com todo esse processo e afirma que não há perpetuação de conselheiros. “São pessoas que vêm prestando um bom serviço para a cultura. O Governo trabalha com pessoas que já vêm somando. Trabalha com pessoas dinâmicas (...) Não acho um desprestigio da FUNDAC. O Governo tem três vagas e já tinha escolhido os indicados.
O papel do Conselho
Diferentemente do Conselho Municipal de Cultura de Teresina, que está desativado, mas tem força deliberativa, o CEC tem papel meramente normativo e consultivo, quer dizer, não decide nada, apenas sugere. “Quem deve compor o CEC são pessoas com notório saber, capacidade intelectual e artística, de tal maneira que possa ter uma visão geral de políticas culturais. O que nós podemos questionar é o papel do CEC hoje no Piauí, saber se o que ele delibera é acatado”, diz o desenhista e produtor cultural Albert Piauí.
Para o músico Severino Santos, que já tem um mandato e foi novamente escolhido, desta vez, pelo Projeto Música Para Todos, a descentralização das atividades do CEC, com atividades educativas e culturais nos municípios, e a luta pela criação da Secretaria de Cultura do Piauí foram duas grandes propostas que ele defendeu e vai continuar defendendo no CEC.
“Os artistas piauienses acostumaram-se a receber um cachê do Governo do Estado para alguns shows do projeto Boca da Noite e outros espetáculos, ou ter um cargo de confiança no Governo. Nunca foram a luta (...) Por isso, a maioria das entidades não são legalizadas. Na hora de concorrer a um Edital ou, até mesmo, concorrer a uma vaga no CEC, algumas estavam irregulares e não puderam concorrer”, diz Severino.
Para ele, a perpetuação de conselheiros naquele Conselho deve-se á desorganização dos próprios artistas. “__Ninguém está lá porque é uma ditadura. O processo é democrático! Exceto o representante do Governo do Estado, onde o governador pode indicar quem quiser. Mas, na Assembléia, tem um processo de eleição, nas entidades também. Alguns artistas dizem assim: __Mas, eu não fui comunicado, como se o Governo ou a Assembléia tivesse a obrigação de mandar uma carta para ele informando que o Edital está aberto, rsss”, afirma Severino.
Apesar de afirmações fortes, ele afirma que, como conselheiro, contribuiu muito neste processo quando mandou emails com informações sobre o processo para todas as entidades que tinha contato. “De toda as entidades contatadas, só sete inscreveram-se”, finaliza Severino.
CONHEÇA OS NOVOS CONSELHEIROS
Poder Executivo
Manoel Paulo Nunes Cinéas Santos Francisca Maria Soares Mendes
Poder Legislativo
José Itamar Guimarães Silva Maria Dora Oliveira Medeiros Lima Wilson Seraine da Silva Filho
Sociedade Civil
Luis Severino Santos Severo de Souza Barros Pedro Nonato da Costa Suplentes José Elias Martins de Arêa Leão Arimatan de Sousa Martins Valfrido de Sousa Salmito 07/05/12