Quarta-feira, 22 de maio de 2013

Governo sírio fracassou em proteger seu povo, diz relatório da ONU

23/02/2012 12:56h

O governo sírio fracassou em proteger seu próprio povo, denunciou nesta quinta-feira a comissão de investigação internacional sobre a Síria, que tinha mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

"Desde novembro de 2011, as forças sírias cometeram sérias e sistemáticas violações dos direitos humanos", afirma a comissão, que interrogou 136 novas vítimas desde novembro, data do relatório anterior.

A comissão concluiu em seu primeiro relatório que as forças de segurança sírias cometeram crimes contra a humanidade na repressão brutal da revolta no país.

Mais de 500 crianças morreram desde o início da rebelião, em março de 2011, segundo a comissão, que cita uma "fonte confiável". Dezembro foi o mês mais violento, com 80 crianças mortas, seguido de janeiro de 2012 com 72 mortes.

O balanço da violência na Síria, segundo os ativistas, chega a 7.600 mortos, em sua grande maioria civis.

De acordo com o documento, forças sírias mataram mulheres e crianças desarmadas, bombardearam áreas residenciais e torturaram manifestantes feridos em hospitais por ordem do "alto comando" do Exército e de autoridades do governo.

Investigadores independentes da ONU pediram para que os perpetradores dos crimes contra a humanidade enfrentassem processos e disseram que haviam esboçado uma lista confidencial de nomes de oficiais do comando e autoridades que seriam supostamente responsáveis.

"A comissão recebeu evidência de credibilidade e consistente identificando membros do alto e médio escalão das Forças Armadas que mandaram seus subordinados atirarem em manifestantes desarmados, matar soldados que se recusavam a obedecer tais ordens, prender pessoas sem motivo, maltratar pessoas detidas e atacar bairros de civis com tanques e tiros de metralhadora", disseram os investigadores em um relatório enviado para o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A comissão de inquérito, comandada pelo brasileiro Paulo Pinheiro, descobriu que forças rebeldes lideradas pelo Exército de Libertação Sírio também cometeram abusos, incluindo assassinatos e sequestros, "apesar de não haver comparação em proporção".

Autoridades sírias não puderam ser encontradas para comentar as últimas conclusões da comissão.

SÍRIA NEGA ACUSAÇÕES

Mas uma carta de 23 de janeiro de sua missão diplomática em Genebra, anexada ao relatório, rejeitava como sendo "totalmente falsas" as alegações contidas no relatório anterior da ONU, divulgado em novembro, de que as forças sírias estavam cometendo crimes contra a humanidade. A carta síria acusa "grupos terroristas armados" por tais crimes.

As forças do ditador sírio, Bashar al Assad, bombardearam bairros da oposição muçulmana sunita na cidade de Homs pelo 20º dia nesta quinta-feira, disseram ativistas, apesar da condenação internacional com os relatos de mais de 80 pessoas assassinadas na quarta-feira.

As forças leais a Assad entraram no bairro rebelde de Baba Amro, de Homs, nesta quinta-feira, disseram fontes da oposição.

A Síria está "à beira" da guerra civil e profundas divisões entre as potências mundiais complicam as chances de pôr fim a quase um ano de violência provocada por protestos contra o regime, disse a junta de três membros da ONU em seu último relatório de 72 páginas.

"A continuação da crise traz o risco de radicalizar a população, de aprofundar as tensões entre as comunas e de erodir o tecido da sociedade", advertia.
 

Fonte : folha
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