Quinta-feira, 24 de maio de 2012

Professor Ozias Lima diz que quase foi impedido de falar em audiência na Assembléia

20/05/2010 11:39h

Ozias Lima, presidente Nacional da Associação dos Paciente Renais Crônicos e Transplantados –Seccional-PI, que participou ontem, 19, de uma audiência pública na Assembléia Legislativa, sobre a questão dos doentes renais crônicos falou hoje na redação do Tribuna do Piaui sobre a audiência. Ele diz que por pouco não foi impedido de falar, fato que não ocorreu pela interveniência do deputado estadual Marden Meneses. O professor escreveu o artigo “O teatro dos Vampiros”, que a Tribuna reproduz abaixo:

O Teatro dos Vampiros

O tratamento de hemodiálise dos pacientes renais crônicos terminais é estressante:quatro horas filtrando o sangue numa máquina para transformar o sangue venoso em arterial com o fim da busca do oxigênio na circulação para mantê-lo vivo,durantes três dias na semana.A máquina de hemodiálise é o nosso rim artificial.Ao mesmo tempo que ela nos dá a vida, nos retira a nossa vitalidade,energia,deixando-nos profundamente debilitados.É uma batalha com o coração.Um dia,com certeza, ela vencerá. Existe,ainda,o tratamento peritoneal, menos traumático,porém não menos perigoso.

Para a recuperação artificial de nossas perdas , precisamos da reposição de cálcio sintético,hemácea ,ferro e vitaminas , com uma boa alimentação. Com isso a vida se estende um pouco mais,com a morte à espreita.O Ministério da Saúde repassa verbas para comprar esses medicamentos,com contrapartida do Estado,em responsabilidade do gestor da Secretaria de Saúde.

Cria-se,assim,um universo de exclusão:o sofrimento,a dor,a baixa autoestima,numa dependência clínica,excluindo a vida do paciente renal de sua rotina social habitual.Não haveria, com isso,nenhuma problemática se o gestores cumprissem com o que determina a lei:direito à vida e à dignidade humana dessa milhares de pessoas injustiçadas pelo desvio de verbas comprometidas com a compra dos medicamentos.Infelizmente não tem sido assim.

A verba desaparece de forma duvidosa, e ficamos a sofrer em nosso metabolismo a falta permanente desses medicamentos vitais à existência,ampliando o nosso penar. Não queremos piedade,e ,sim, o que nos é de direito.Alguns definham de tal forma que chega ao óbito.Essa é uma maneira cruel de nos matar,ou diminuir a nossa longevidade.Tudo por ganância financeira,sem se preocupar com a fragilidade de pessoas deficientes e especiais.

Somos cidadãos com direitos ,pagamos aos impostos,votamos,temos filhos e inteligência no meio de toda essa agonia.Quando buscamos a regularidade do tratamento somos tratados com arrogância e gozação sem ter o direito à voz.É o nosso preço.Todavia,isso terá troco-o tempo nos mostrará..

Para resolver esse impasse não há necessidade de audiência pública.Esse caso é de polícia ,jurídico:basta fazer o gestor devolver a verba de cada comprimido,de cada ampola,de cada injeção, que ele deixou de comprar para cada paciente,e pagar com prisão carcerária a dor provocada ,o sofrimento e agonia,ou a morte,com indenização aos familiares que sofrem conosco o desespero da insensatez de enriquecimento com verba que se torna maldita:Naasceu do próprio suor ,mas do mau –caratismo.

Foi propalada a audiência pública proposta com seriedade em favor dos pacientes renais crônicos na Assembleia Legislativa e (pasmem)fora derrotada,dando espaço para a aprovação de um teatro do gestor que mais nos maltratou nesses últimos dez anos para que ele se fizesse,na função de ator de quinta categoria ,de vítima dos laboratórios que mantêm a patente de suas pesquisas caríssimas na fabricação de medicamentos especiais.Perda de tempo.Tentativa de escapar de sua péssima gestão.Este capítulo da peça foi hilárico.

A sua plateia,de coro ensaiado,na defesa de seus contracheques e cargos comissionados também foi patética.De muito mau gosto.Treinada para seguir o roteiro da peça,ajudou a passar em branco o depoimento da vida sofrida de um renal crônico.com apupos e vaias: assim foi tratado o principal convidado da peça do teatro dos vampiros:o paciente renal crônico terminal.Não quiseram ouvir a voz daquele que sofre com os desmandos do seu patrão,paciente portador de patologia da qual não estão assim tão isentos:todos possuem rins e são seres humanos factíveis de vir a sofrer os açoites da vida e passar a pertencer à irmandade dessa grande dor humana.

Tudo é uma questão de respeito à dignidade desses excluídos,párias e indigentes.Não estamos pedindo,já que esse é um direito adquirido.Mas a pergunta não quer calar:cadê a verba do Ministério da Saúde?.Cadê a justiça do meu Estado?ficamos 220 dias, no ano passado, sem tomar um único medicamentos,vendo colegas se despedirem da vida de forma injusta.Deus existe,sim.Ele me mantém vivo e com sentimentos humanitários.Orgulho-me pela luta.Decepciono-me,até agora,com os gestores.Isso também tem preço.Consumatum est.

Ozias Lima Presidente Nacional da Associação dos Paciente Renais Crônicos e Transplantados –Seccional-PI.

Fonte : Da Redação
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